sexta-feira, 30 de setembro de 2011


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retratoO amor comeu meus cartões de visitaO amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisasO amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minha dietaO amor comeu todos os meu livros de poesiaO amor comeu meu Estado, minha cidadeO amor comeu minha paz, minha guerra, meu dia e minha noiteMeu inverno, meu verãoComeu meu silencio, minha dor de cabeçaO meu medo da morte
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. 
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. 
Meu inverno e meu verão. 
Comeu meu silêncio, 
minha dor de cabeça, 
meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu meus cartões de visita
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minha dieta
O amor comeu todos os meu livros de poesia
O amor comeu meu Estado, minha cidade
O amor comeu minha paz, minha guerra, meu dia e minha noite
Meu inverno, meu verão
Comeu meu silencio, minha dor de cabeça
O meu medo da morte

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite.
Meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça,
meu medo da morte.

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